quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

A doença....

  

   Porque comecei a escrever sobre a minha mãe e sobre a doença. Pelo MEDO que tenho de perdê-la em minhas lembranças...Sim...LEMBRANÇAS! Pois foi a única coisa que restou dela, LEMBRANÇAS! Por outro lado também a RAIVA que sentia a cada dia, a raiva de não poder mais vê-la e de não mais ouvi-la. Achei que estava ficando louca, por um tempo até fiquei....Eu não aguentava mais de tantas saudades, não dormia direito, me tornei rude, estava desesperada... Decidir dividir isso...GRANDE TERAPIA!
  
   A descoberta de sua doença foi no dia primeiro de março de 2005, uma terça,  marquei bem esta data, porque estava em minha agenda, eu tinha que ligar pra ela para saber os resultados dos exames....Então ela me disse ao telefone  “ESTOU COM CANCÊR”, na hora fiquei parada, estática, muda... Pedi licença à ela e desliguei o telefone... Não acreditava...Mas o que eu não acredito até hoje o porque agi assim, não falei nada, simplesmente desliguei o telefone, nem se quiser perguntei à ela se ela estava bem. O telefone tocou e era ela e me perguntou se eu estava bem, não era para me preocupar, que ela estava bem, que ia dar tudo certo e não estava com medo. COMO ELA FOI SÁBIA!  E eu uma ignorante, ela foi mais forte do que eu, me consolou, parecia que eu é que estava doente e não ela. Mãe me perdoe por isso!... E ela continuou... “Estou encarando como se fosse uma gripe, farei o tratamento necessário e tudo ficará bem”! 

     TANTO ELA COMO NÓS ACREDITÁVAMOS EM SUA CURA!

Mal saberíamos que o caminho seria árduo, doloroso e curto.

Passaram-se os dias, vivemos altos e baixos; esperança e desesperanças; Sorrisos e choros. Ela sentia muita dor, mas ela não reclamava. Sentíamos dor também, em vê-la sofrer e não podíamos fazer nada. A única coisa que podíamos fazer era ficar ao seu lado.

A sua primeira quimioterapia já foi forte, imagina as outras.

O que me surpreende é que ela reagia com muito equilíbrio...ela chorava...mas não reclamava. Só chorava.  Não reclamava em fazer a químio, ela acreditava na cura, fazia tudo o que se pedia, era muito disciplinada... TADINHA! Ela sofreu! Teve náuseas, dores, palpitações, agonia, angustia e medo...Mas não reclamava...nunca....nunca.

O câncer é uma doença desgastante, em todos os aspectos. Tanto financeiro como emocional. Todos sofrem. 

A parte que mais me chocou foi quando à vi sem cabelo, ai sim você cai na real, não tem jeito. Você fica impotente, indignada, frustrada, revoltada, VOCÊ CAI NA REAL MESMO. O câncer é tudo isso e muito mais. Imagina isso tudo para ela. 

Nunca vamos acostumar com isso, tudo isso é muito assustador. A queda do cabelo dela foi difícil pra mim, vê-la careca! Ela amava seu cabelo, sempre cuidando dele. 

As pessoas falam "Você não pode chorar, você tem que ser forte"... Não é bem assim, quem ama chora, acredito nisso! 

Eu chorava o tempo todo, às vezes chorava na frente dela. Chorávamos juntas, mas conseguíamos dizer eu te amo uma para outra.  

Essa doença é uma DROGA.

No decorrer ela brincava comigo sobre sua “carequinha”, dizendo que sua cabeça era perfeita e bem redondinha. Eu saia de sua casa com o sentimento que cada vez mais eu a amava.

Aprendi a rezar, realmente eu aprendi a rezar, antes eu só rezava, depois passei a REZAR, por querer algo, pedindo, suplicando e exigindo que Deus trouxesse a cura.

Ela faleceu no 17/04/06 (Segunda-feira), às 9:00 da manhã. Ela estava serena, aos poucos ela  se foi ...“DORMINDO”....

Agora sei o que é não ter mãe...






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